Um estudo publicado na revista The Lancet Regional Health aponta que a ansiedade em crianças é a principal causa de incapacidade entre brasileiros de 5 a 9 anos, e lidera esse ranking em todas as faixas etárias da infância à vida adulta jovem.

A pesquisa avaliou dados do Global Burden of Disease, GBD, de 2023, e calculou prevalência, incapacidade e mortalidade associadas a transtornos mentais entre pessoas de 5 a 29 anos.

Os autores destacam que a juventude é o período com maior probabilidade de adquirir condições de saúde mental, por fatores biológicos, sociais e econômicos, conforme informação divulgada pelo g1

O que a pesquisa mostrou

Segundo o levantamento, cerca de 20,91% dos brasileiros de 5 a 29 anos tinham pelo menos um transtorno mental em 2023, e a carga de doenças mentais e por uso de substâncias é alta no país.

Os dados do GBD colocaram os transtornos de ansiedade no primeiro lugar entre as 375 doenças e lesões avaliadas em todas as faixas etárias analisadas, o que reforça o impacto da ansiedade em crianças e jovens.

Crianças de 5 a 9 anos, quais são os transtornos mais frequentes

Na faixa de 5 a 9 anos, além da ansiedade, os principais diagnósticos que mais causam incapacidade foram, na sequência, o TDAH, o transtorno de conduta e o transtorno do espectro autista.

O estudo informa que cerca de 12,6% das crianças dessa faixa etária apresentam pelo menos um transtorno mental diagnosticável, um sinal de que a atenção à infância precisa ser prioridade nas políticas de saúde.

Avanço com a idade e número absoluto de afetados

A prevalência de transtornos mentais aumenta progressivamente com a idade, chegando a 24,95% entre jovens de 25 a 29 anos, e o total estimado pelo estudo é que 15,6 milhões de brasileiros de 5 a 29 anos convivam com algum transtorno mental.

Esses números mostram a dimensão do problema e apontam para a necessidade de rastreamento e intervenções voltadas para crianças e adolescentes.

Recomendações dos autores

Os pesquisadores recomendam ampliar ações de prevenção e diagnóstico precoce, com especial atenção durante a infância, além de manter um acompanhamento médico regular para quem apresenta sintomas.

Especialistas ressaltam que identificar e tratar precocemente a ansiedade em crianças pode reduzir incapacidade ao longo da vida, melhorar o desempenho escolar e diminuir risco de agravamento em idades mais avançadas.

Medidas sugeridas incluem capacitação de profissionais de saúde e educação, acesso ampliado a serviços de saúde mental, e campanhas públicas de conscientização para famílias e escolas.


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